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sábado, 1 de agosto de 2020

Leituras de Julho de 2020 - Lu Rabello


Julho chegou! Mês de férias, de friozinho. Propício para ler…




Porém não foi nada disso o que ocorreu por aqui nesse julho atípico.


Primeiro por conta da epidemia que já se arrasta há meses, portanto, ninguém mais tem férias...e segundo que apesar do clima apropriado, não tenho conseguido me concentrar em ler nada de forma consistente.

Leio poucas páginas e já desanimo.

Já passaram por alguma ressaca literária? Estou tão chateada com essa condição. Ainda mais porque não terei tanto a conversar com vocês esse mês.

Um pouco do que li esse mês foi: 

A Mulher na Janela


Em junho comentei que estava lendo e agora em julho finalizei

Um livro que parece ter sido escrito para virar filme. O tipo de leitura que envolve.

Anna é uma mulher que vive só e passa seus dias espionando seus vizinhos, bebendo muito vinho e assistindo a filmes antigos. Até que presencia um crime.

Seu histórico de vida não a coloca como testemunha confiável, já que ela é vista bêbada e desacordada do lado de fora da casa. Como nada é o que parece nessa história, ficaremos “em cima do muro” até os momentos finais sem saber quem é o mocinho e quem é o vilão dessa estória.

O livro virou filme mas ainda não foi lançado devido a pandemia. Mas é um que vou gostar de assistir e entrar no clima de suspense da estória.

Depois fui para a Rússia, país dos meus queridos autores Tolstói e Gógol. Sempre acabo indo para esses lados nesse clima frio. Mais convidativo, impossivel. 

Entrei em contato pela primeira vez com Turgueniev  em, Primeiro Amor.



Mais que uma estória de amor e de descobertas  um retrato de uma sociedade hipócrita dos anos de 1860.

Quatro amigos se reunem para falar sobre seus amores de adolescência. Vladimir irá narrar aos amigos, e a nós, como conheceu o amor e aprendeu sobre a vida e valores familiares.

O estilo narrativo de Turgueniev nessa obra me lembrou os livros do período romântico Brasileiro, e autores como José de Alencar e Machado de Assis. Um livro (que quase se assemelha a um conto longo) que vale a pena ser conhecido se você nunca leu nada dessas terras. Não tem muito debate político (como todo Russo gosta) por esse motivo acaba sendo uma leitura mais fluida.

Depois iniciei 2 livros mas ainda não os concluí. Que vergonha!

Dei início à biografia de Edith Piaf. Não sou fã de biografias, lendo somente daquelas pessoas a quem admiro. E essa é uma das minhas queridas.


Uma grande cantora francesa, tão pequenina no tamanho e com uma capacidade de emocionar através da música, como poucos conseguem. Uma verdadeira diva. Não cheguei ainda na metade, mas estou gostando demais.

Outro iniciado foi “O café da praia”. Daqueles romances levinhos, bom pra espairecer depois de uma leitura mais pesada. Ainda não ha muito a falar pois estou bem no inicio.


Esse livro faz parte da coleção Romances de Hoje a Editora Arqueiro.


Tem como resistir a essas capas lindas?
Tem como resistir a essas capas lindas? 


Que tem no catálogo A padaria dos finais felizes e A pequena livraria dos sonhos entre outros. Li esse último e me encantei por sua estória linda e divertida.

E por fim, mas não menos importante, esse foi o mês de lançamento de "

Eu já recebi meu exemplar e estou muito feliz por essa conquista da minha querida irmã de coração!



A primeira obra de muitas que virão. Muito sucesso pra você, Fabi.

Pra quem quiser adquirir o exemplar pode ir ao site das lojas Americanas, Submarino ou ShopTime ou diretamente pela Editora responsável por trazer à vida um livro que vai adoçar os corações Brasileiros, a Editora Expressividade.

Todos passamos por fases menos “leitores” e não devemos nos sentir tão mal por isso, afinal, a vida é muito corrida, todos temos problemas, afazeres...mas vou confiando que no próximo mês tirarei o atraso. Me contem o que estão lendo e o que fazem para sair de uma ressaca literária

Até mais,

Lu


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terça-feira, 6 de março de 2018

Coisas que a ciência não explica - final





Olá, povo que lê! 

Preparados para o último capítulo da micro novela Coisas que a Ciência não Explica? Se você perdeu os outros dois primeiros capítulos, confira os links a seguir antes de ver o final, não quero dar spoiler. 



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Coisas que a ciência não explica (final)



- Você não é máquina, é mata. Venha velozmente de volta!... Você não é máquina, é mata!  Venha velozmente de volta!... Aquela voz de fogo fátuo não saia da minha mente e queimava minha nuca. Olhei para o Mário. Meu cameraman começou a evaporar dentro de uma chama verde azulada, transformando-se em fumaça, sua câmera derretera no chão numa poça de borracha e metal. Só podia ser alucinação de algo que havíamos comido durante a filmagem na mata.

- Você não é máquina, é mata. Venha velozmente de volta!... Você não é máquina, é mata!  Venha velozmente de volta!... De Mário só restava fumaça, fogo, e um pequeno ser verde e voador, da cor do fogo que o queimara, e dos meus pensamentos apenas havia sobrado...

- Você não é máquina, é mata. Venha velozmente de volta!... Você não é máquina, é mata!  Venha velozmente de volta!... Olho para a cobra vermelha e enorme que está na porta do trailler de filmagem, lambendo minha essência com sua língua de fogo falante. Olhos verdes, língua preta, corpo vemelho; mata verde, alma preta, fogo vermelho.

- Você não é máquina, é mata. Venha velozmente de volta!... Você não é máquina, é mata!  Venha velozmente de volta!...

E Tudo se transformou em luz e ação. Não há mais câmeras!






E aí? Gostaram da novela? Deixem sua opinião aí embaixo, vou gostar de saber o que você achou.

Bjks e Boas Leituras!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Coisas que a ciência não explica (parte 2)






FELIZ 2018, POVO QUE LÊ!!!

Para começarmos bem o ano, lá vai um presentinho para vocês, queridos leitores: A segunda parte da minha micro novela "Coisas que a ciência não explica"




Coisas que a ciência não explica” (parte 2)

           
            Estávamos estáticos, olhando a filmagem que graváramos há alguns minutos atrás, reproduzida nos monitores do nosso estúdio móvel: uma monótona dança de vaga-lumes que nada dizia sobre os seres estranhos, pequenos hominídeos de olhos de lanterna, que havíamos encontrado e filmado sobre o tronco daquela árvore imensa e cheia de musgo.
            Que seres seriam aqueles? E por que nossas câmeras não haviam registrado a realidade? Mas o que era real? Os vaga-lumes ou os minúsculos seres assustadores e arrepiantes? Estaríamos sobre o choque da onça que quase havia nos devorado antes do estranho encontro com esses pequenos seres?
            Ficamos eu e o Mário assim, submersos em nossas questões, quando um calor nos queima a nuca, como uma labareda; e um relincho nos ensurdece todas as interrogações. Olho para a porta do trailler, que havia deixado aberta na afobação, e vejo uma serpente enorme, enrolada sobre seu próprio corpo que tinha aproximadamente a largura de minha cintura com quase meio metro da parte superior de seu corpo levantada, sustentando uma cabeçorra do tamanho da minha. Vermelha como fogo, sentia nosso cheiro com sua língua negra lambedoura de ar.
            Nunca havia visto uma cobra como aquela. Chamei o Mário que já estava com a câmera ligada na direção do animal. Percebi que seria nossa última oportunidade de mandarmos algo para a emissora. Olhei para a câmera e comecei:
            - Pessoal, acabamos de receber uma visita espetacular aqui no nosso trailler de gravação. É uma serpente enorme! Nunca vi algo como esse bicho! Tão grande e vermelho desta forma! – enquanto falava, fui vagarosamente me aproximando do animal com a mão estendida para que ele sentisse meu cheiro com sua língua, mas faltando um metro para encostar no bicho, percebi que ele emanava um calor absurdo. Me assustei com a sensação térmica e puxei, automaticamente, minha mão para trás e disse para o Mário sem mais me preocupar com a gravação:
            - Mário, essa droga é quente! Cobras não são quentes!
            Assim que me virei para o animal, pequenos homens verdes com enormes chapéus e olhos de luz pousam sobre todo o corpo fervente da cobra e um zunido de relincho começou a perfurar meus tímpanos:
            - Você não é máquina, é mata. Venha velozmente de volta!... Você não é máquina, é mata!  Venha velozmente de volta!...
Eu estava beirando a loucura, já não sabia mais o que era ciência e o que era fantasia.
 (Continua...)

Espero que estejam gostando da novelinha, do mais, para 2018, ótimas leituras a todos

Bjks!
Fabi

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Coisas que a ciência não explica (parte I)

Olá, povo que lê!

Hoje vim trazer pra vocês uma novelinha de 3 capítulos que escrevi esse ano pra Revista Sintonia, aqui da minha região. A cada postagem minha, vocês lerão um capítulo, pode ser? Espero que gostem, o feedback de vocês aí nos comentários é importante!

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 Coisas que a ciência não explica

Era mais uma noite de gravação. Eu e o Mário estávamos a procura de mais um animal noturno para terminarmos aquele set. Precisávamos entregar as imagens na manhã seguinte para serem feitos os cortes e montagens necessárias.
Já estávamos exaustos. A onça havia nos dado uma canseira após ter-nos descoberto. Sorte que todas aquelas árvores tortuosas serviram para nos auxiliar na fuga.
Andávamos cautelosos para não causarmos mais acidentes. A noite estava escura, sem lua e sem estrelas. A lanterna mal clareava um metro a nossa frente.
Dois pontos brilhantes apareceram sobre uma árvore musguenta. Graças a Deus! Havíamos encontrado uma coruja!
Pé ante pé nos aproximamos e começamos a gravar. Eu já começava a fazer a descrição da possível espécie quando a luz começou a mostrar outros pontos brilhantes espalhados pelos galhos... com grandes cabeças largas... não, não eram cabeças, pareciam chapéus... e asas cruzadas sobre os corpos... não havia penas, eram braços...
O que eram aqueles seres?
Arrepios correriam pela minha espinha.
A luz desapareceu.
Quando olhei para trás, Mário já não estava mais comigo.
Ouvi um relincho de fogo vindo de trás das árvores, que fez com que todos aqueles pequenos seres se levantassem sobre os galhos e fixassem seus faróis em minha direção.
Como um animal sendo caçado, fugi para o treiller. Corri como nunca havia corrido antes, sem olhar para trás.
Abri a porta desesperadamente e encontrei Mário sentado, na frente do equipamento, pálido, assistindo à filmagem.
A imagem era de uma dança de vaga-lumes. Sumiram os chapéus, os braços, o relincho de fogo.
Nos olhamos sem palavras.
A tecnologia e a biologia não explica alguns fenômenos. Na manhã seguinte não teríamos material para entregar à emissora.

Continua...

Bjks e Boas leituras!

Fabi

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Terça de Carnaval - conto (Jornal Sintonia)

Oie, povo!!!

Há algumas postagens atrás, eu trouxe minha coluna de contos do Jornal Sintonia pra que conhecessem. Quem ainda não viu o Sintonia de Dezembro, basta acessar Jornal Sintonia .
Hoje eu quero mostrar a edição de Janeiro do Jornal Sintonia, onde minha coluna está na página 8.


Nem preciso dizer que estou mega feliz com essa parceria e orgulhosa pelo sucesso do Sintonia, né? Obrigada Aline a Caio que são os redatores do jornal!
Bjks e Boas Leituras!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O gigante adormecido (conto)

Hoje venho trazer um conto que acabei de escrever para nos inspirarmos no início desse ano de eleições!

O gigante adormecido


Era uma vez, num reino distante e desigual, uma rainha má que há oito anos comandava o seu povo com falsa solidariedade, dando mal e porcamente pão e circo ao povo que sofria com os seus desmandos. Fome, sede e tragédias naturais e humanas eram o que faziam a plebe lutar pela sobrevivência. A briga hierárquica do castelo parecia, para os plebeus, uma novela distante ou um reality a ser acompanhado por mera diversão.
Não havia esperanças de melhora ou mudança.
Mas, naquele reino, havia um mistério que poucos sabiam. Apenas alguns magos de duas escolas de magia conheciam: os magos das universidades e os bruxos da publicidade. O rumor que se ouvia era sobre um tal gigante. Um gigante com poder de destruir a rainha e seu conselho, assim como toda sua linhagem, trazendo finalmente fartura e felicidade ao povo.
Então, certo dia, os magos e bruxos espalharam a notícia que o gigante acordaria com os gritos de que o aumento dos tributos às carruagens aumentaria. Os gritos foram se espalhando e do meio dos manifestos ele começou a se erguer, forte, majestoso, imponente.
A rainha começou a se amedrontar e o povo a gritar mais alto, e vendo a força do gigante manifestar-se, também gritaram pelos trolls, ogros, elfos, grifos, unicórnios, pensando que acumular um exército mágico contra a rainha seria a vitória.
E seria, se a rainha má, juntamente ao seu conselho, não tivesse comprado os magos e bruxos, fazendo com que os mesmos dispersassem os gritos do povo transformando a gritaria num leve sussurro de desapontamento.
Os entes mágicos retornaram para suas cavernas e o pior: o gigante voltou a dormir, e junto com seu sono, a rainha voltou a sentar-se em seu trono e nem impeachment de magos comprados poderia destruir mais os seus desmandos.
O gigante ainda está lá, esperando o clamor para se tornar herói. Diz a lenda que um dia o povo aprenderá a cantar bem alto, uma linda canção que despertará o gigante adormecido e só assim, haverá um final feliz.

Bom 2016! Boas Leituras!




quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Um Natal bem brasileiro

Uma das novidades desse mês que justifica meu sumiço (ou não), foi a coluna que "ganhei de presente de Natal" do Jornal Sintonia. Estou super feliz com essa novidade, mega satisfeita em ter o privilégio de divulgar nesse canal de comunicação tão importante da minha região, minhas ideias malucas. Ainda não saiu o link virtual, mas ontem já foram distribuídos os impressos. Espero que gostem!

Boas Leituras!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Milagre

Hoje vim trazer mais um conto de babar de uma de minhas alunas da oitava série, a Vitória Maria. Espero que gostem:

O Milagre

Era um dia como todos os outros. Deivid acorda as 5:15 da manhã para poder ir ao trabalho que fica em outra cidade.
Sua esposa dorme um sono pesado. Ela dorme sorrindo, parece até que está sonhando. Deivid vai até ela e a acorda.
- Bom dia, meu amor! Estou atrasado, você pode...
Aline já dá um pulo da cama e diz:
- Por que você não me acordou antes? Ande! Vá se arrumar! Estou indo preparar seu café! Rápido, ande!
- Eu te amo! - diz abrindo um sorriso - Eu te amo tanto...
- O que está acontecendo? Está tudo bem? Você não costuma me dizer isso quando acorda - ela diz estranhando a atitude do marido.
- Está tudo bem, só acordei querendo dizer isso.
Aline o beija e vai até à cozinha preparar o café. Deivid senta-se, e sente um aperto muito grande no peito, mas prefere não dizer nada à sua esposa. Ele sentiu que algo aconteceria naquele dia, que a partir daquele dia algo mudaria, e ele estava certo.
A caminho do trabalho, Deivid dirigia um pouco acima do limite de velocidade, mesmo sabendo que aquelas curvas eram perigosas.
Ele sente novamente um aperto no peito, desta vez bem mais forte do que da vez anterior. Então ele fecha os olhos por um tempo, com a moto ainda em movimento. Abre os olhos e nada acontece, então ele faz a curva mais perigosa de todas quando...
PHÁÁH!!!
Deivid foi jogado longe de sua moto. Um carro deu de frente com a moto,fazendo-o ficar com a perna presa em um arame farpado que tinha em volta da beira de um rio. Gritava pedindo socorro para que alguém o ajudasse, mas o motorista do carro, por estar errado, não presta socorro e vai embora.
- Socorro! Socorro, me ajudem...
Ele sentia tanta dor que já não conseguia mais gritar, então seus gritos foram ficando mais fracos, diminuindo as chances de alguém ouvi-lo.
Deivid vai fechando os olhos, dando a impressão de que estava ficando desacordado, mas algo o segura em suas mãos e o puxa. Ele olha para sua perna  e vê que em volta dela está uma luz estranha, uma luz diferente em plena luz do dia.
- PUFFAPTZUN... - uma voz disse fazendo que a luz sumisse, sua perna ficasse solta e não sentisse mais dor nenhuma.
Deivid já não sentia mais dor e então desmaia. Ele acorda em um lugar desconhecido, um lugar lindo, com bastante luz, com flores e acessórios magníficos. Ele tenta se levantar mas não consegue muito.
- Deite-se! Não é bom que você levante agora - diz a mesma voz que disse aquelas palavras estranhas no lugar do acidente.
- Quem está falando? Onde você está? - Deivid pergunta apavorado - Apareça!
- Calma, calma! Você se sente melhor? A dor está suportável?
- Sim, só estou um pouco dolorido, mas quem é você? Apareça!
- Calma!
- Eu quero sair daqui! Quero voltar pra casa!
- Tudo bem, se você conseguir sair - a voz diz com um tom de deboche.
Deivid observa o local e percebe que não há portas, nem janelas, e então grita:
- Ahhhh! Me tira daqui... Eu morri, é isso? Eu estou no céu ou no inferno?
- Já disse para ter calma. Aqui não é o céu, muito menos o inferno. Você entenderá tudo se tiver calma - diz a voz com uma risadinha.
Surge então uma linda mulher flutuando sobre o local.
- Quem é você? - diz Deivid encantado com a beleza da mulher.
- Meu nome é Victória! - Diz a voz pousando ao lado de Deivid.
- Eu quero acordar! Chega de pesadelo.
- Já disse para ter calma, sua teimosia me deixa nervosa. Você não precisa acordar, pois isso não é um pesadelo.
- O que você é? Você pode voar? Você é uma fada?
- Não! Eu sou uma anja da guarda.
Deivid começa a dar gargalhadas, pois não acredita no que vê.
- Do que está rindo? Eu sou uma anja!
- Não dá pra acreditar, desculpe-me. Eu quero acordar!
-  PUTFADZUN - diz a voz fazendo Deivid sentir dor novamente.
- Tá bom! Eu acredito! Tá doendo! Pare, por favor!
- Tudo bem! - diz fazendo a dor sumir.
- Mas como assim? Podemos ver nossos anjos?
- Humanos, humanos, vocês são bobos! Quando uma pessoa está à beira da morte, mas ainda não está na hora de partir, nós aparecemos para salvá-las.
- Então isso não é um pesadelo?
- Eu já disse que não.
- Minha filha sempre disse que anjos existem.
- A Clarinha me conhece, ela já veio até mim no dia de seu nascimento, Mas ela não se lembra de nada, apenas acredita.
- Ela vai amar saber que também te conheci...
A voz o interrompe e diz:
- Você não se lembrará de nada!
- Mas por quê?
- É assim que acontece, isso é para você acreditar que milagres acontecem. Eu fui enviada pelos anjos dos anjos e agora minha missão está concluída.
Deivid ainda tenta entender, seus pensamentos estão confusos até que...
- Mas...
- Está na hora, volte e faça sua missão, você se lembrará apenas de uma coisa: Milagres acontecem...  PUTFAPTZUN - e tudo desaparece.
Deivid acorda no hospital, com dores suportáveis, mas com aparelhos à sua volta.
-Amor - diz Aline - isso é um milagre!

Boas Leituras!




segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Onde há fumaça, há fogo...

Oie, leitores!
Seguindo o Projeto "Aperte a tecla", lá do blog Na estrada da fantasia da minha amiga blogueira Marina Ramos, saiu por aqui no Língua e Literatura o conto do mês de agosto, bastante atrasado, mas é nisso que dá abraçar todos os projetos que se vê pela frente. O tema de agosto era "baseado em fatos reais", e vou lhes contar, realmente o causo é real, ouvi muitas vezes, de verdade! 
Espero que gostem:

Onde há fumaça, há fogo...

Já ouviram aquela expressão que diz que "onde há fumaça há fogo"? Pois então, essa estória que vou contar, já a ouvi em vários lugares por onde passei aqui na região de Bragança Paulista. 
Ora é contada por crianças pequenas, que na sala de aula, se apavoram só de recordar; ora é contado por adolescentes que, descrentes, apenas reproduzem aquilo que ouviram para tirar um barato dos colegas e ora quem conta são os mais antigos que, com toda sabedoria, apontam os detalhes da estória causando arrepios tremendos na espinha.
Se é verdade, não sei. Mas onde há fumaça, há fogo.
Há alguns anos atrás. estava eu passando uns dias na casa da minha comadre em Joanópolis, quando resolvemos aceitar um convite pra tomar um café de fogão à lenha na casa de Seu Ramos, vizinho de alguns quilômetros de distância.
Eu, que na época ainda morava na cidade grande, me impressionava com tudo na roça: a caminhada ao ar livre, as grandes montanhas de pasto verdejante, o ar com cheiro de estrume fresco, as pedras reluzentes na estrada de chão, a simplicidade das casas abastecidas pela água do poço aquecida na serpentina do fogão... mas o que mais me impressionava era a amistosidade, a recepção. Eita povo receptivo!
Chegamos na casa de Seu Ramos e Dona Pepa já foi nos oferecendo uma cadeira ao lado do fogão, bem no meio da cozinha, para esperar o café, que por sua vez esperava dentro de um comprido coador de pano a água ferver. Regados a biscoitos de polvilho, Sr. Ramos perguntou, só por educação, claro, como estavam as coisas na cidade.
- Então ocê é de São Paulo?
- Sou, sim senhor!
-Já fui lá algumas vezes. Mas não gosto não. Quando preciso ir tratar de negócios, mando um de meus filhos. Prefiro o trabalho do sítio.
- É, São Paulo é uma loucura mesmo!
-Loucura? Bão, daí depende do que ocê chama de loucura. Se eu começar a te contar as coisas que acontecem por aqui, ocê também vai achar que esse velho, mesmo morando na roça, é louco.
-É nada, Seu Ramos! Nunca pensaria uma coisa dessas do Senhor! - Afinal eu estava com um senhor de oitenta e dois anos...
- O véio, conta da semana passada, aquilo lá que aconteceu pros lados da cachoeira. - Pediu Dona Pepa segurando o avental que ia amarrado na cintura e com um sorriso meigo no rosto, como que para acalentar o que viria pela frente.
- Fica quieta, muié! Acha que eu vou querer espantar a visita nova?
Vi Dona Pepa cortando queijo fresco para nos servir e nos amarrar ali naquela cadeira junto ao fogão de lenha.
- Que nada, Seu Ramos! Agora fiquei curiosa! O que aconteceu perto da cachoeira? Não vão me dizer que tem Iara por aqui, né?
- Bão, se tem Iara ainda num vi, apesar que o Zé do Estribo, que mora lá depois da campina, diz que nunca mais se arrisca ir pros lados do Lago Fundo. Mas daí até existir, já é outro causo.
- Se não é Iara, então pode contar que eu aguento.
- Bão, no começo da semana passada, meu filho que mora ali no pé do primeiro morro, veio logo no amanhecer de terça-feira bater na minha porta. E não era pra falar de tombo de vaca ou de fuga de cavalo, não. Veio me contar dos barulhos de assombração que tinham deixado ele de lampião ligado a noite toda.
- Assombração, é?! Que tipo de assombração? - Ah, Seu Ramos, logo eu, uma pessoa tão espiritualizada, nunca vou ter medo de assombração! Esse foi o pensamento que me veio à cabeça, mas por respeito apenas falei: - Algum fantasma?
- Fantasma, qual o quê?! Alma perdida se afasta com reza braba. Mas assombração, é coisa das sombras. Existe coisas nesse mundo que não são nem de Deus nem do Diabo. O que são? Ninguém sabe! Mas as vezes aparecem por aqui ou por ali, apavorando o povo com o que não se conhece.
Aquelas palavras bateram no meu peito deixando-o oco: coisas que fogem do domínio de Deus ou do Diabo? Calei-me e me pus a escutar.
"E vou te falar, nunca vi Benedito tão apavorado quanto naquela manhã. A cara dele era branca como cera de toco de vela comida, toda escorrida de suor. Uns olhãos que pareciam que iam comer o mundo. No começo ele não falava coisa com coisa. Gaguejava mais do que fusca velho.
Mandei primeiro ele se aprumar e tomar uma fresca na varanda, com um copo d´água pra se acalmar. Sentei do lado do Dito, coloquei a mão no joelho dele e ele desembuchou:
-Parecia coisa da mula-sem-cabeça, pai!O chiado do fogo estalando a noite toda. Um fogo ardente, mas que não tinha clarão não. Nenhuma luz por fresta nenhuma. Só a crepitação andante. Mas não tinha casco não, bem que aprumei meu ouvido, e não ouvi trote nenhum. Só aquele fogo sem luz estalando em derredor, entrando bem aqui no fundo do peito. Eita estalido apavorante, pai! Parecia que queimava minha alma! E parecia que chia cá dentro até agora!
Fiquei intrigado de ver o susto do Dito e tentei acalmar:
- Mas qual o quê, rapaz! Para de bestagem! Ocê devia é de estar sonhando!
- Tava nada, pai! Pergunta pra Zefa, que foi ela que escutou primeiro e me acordou no pavor pior das coisas.
- Eita, menino, que assombração assim nunca que ouvi falar. Tão falando lá em Minas de um tal de Chupa cabra, será que já veio pra cá, foi?
- Se chupa cabra ou boi, não sei não, pai, mas tô achando melhor a gente adiar a caçada de amanhã.
- Qual o quê, rapaz? Vira homem que essas coisas não adiam caçada nenhuma não."
Enquanto Seu Ramos contava, fiquei pensando no caminho que fiz para chegar até o sítio dele. Será que ali no meio daquela mata existiria algum encantado desconhecido? O que seria aquele estalido que Dito ouvira? Seria algo com forma? E o pior: Será que nos viu pela estrada?
De repente Dona Pepa me acorda servindo um copo de café fumegante e mais um pedaço de queijo.
Seu Ramos continuou:
"E ocê sabe que homem de sítio não arreda o pé de assombração, então celamos os cavalos, pegamos as armas e saímos pelo caminho buscando anta, capivara, tatu, ou qualquer caça que fosse boa de tamanho.
Daí que no galopeio do caminho apareceu uma encruzilhada em formato de "y" que parece que nunca que eu tinha visto naquele caminho que ficou estranho que só. E olha que bem no meio da encruzilhada tinha um oratório, e lá de dentro dele nós vimos duas luzes vermelhas no fundo do escuro de dentro do oratório.
Assuntei pro Dito o que ele achava que era. Ele olhou pro João que não tirava os olhos da luz vermelha. Já tinha visto que os dois estavam se borrando e logo pensei "Mas  que afrouxados que criei!". Falei baixo pros dois:
- Larga de frouxisse que é vela acesa!
Quase que num ouvi a resposta do Dito.
- É nada, pai, que parece dois olhos!
- Então prepara a arma que é onça."
- Afe, Seu Ramos! Vocês pegaram uma onça na caçada?
- Qual o quê, menina! Antes fosse!
Aquela resposta fez os pelos do meu corpo se eriçarem, parecia que senti um calor incômodo no pescoço, uma presença de um hálito de não sei o quê. Olhei pra trás, não vi nada. deixei minha mão na nuca, só por costume, e continuei ouvindo o causo.
"- Quando no susto, aquelas luzes se arredondeiam. virando dois olhos de fogo, e bem no meio, um focinho comprido. Era a cara de um tatu. Mas os olhos lampiavam fogo pela cara toda do bicho. E ocê pensa que ele andava bem? Qual o quê que ele tava avoando em cima do chão que nem pluma. Só de olho em nós.
- E com aquela visagem, a anta do João no arrepio da espinha que teve, disparou a espingarda."
- Ufa, que susto, Seu Ramos! E o bicho morreu e era só um tatu, né?
"Qual o quê! Aquele fogo veio estalido voando pra cima de nós. E bala nem tinha o que matasse não. O causo agora era tocar galope pra fora do caminho da mata. Uh, e corremos bem, viu? Porque fugir a gente não foge, mas também não carecia ficar lá na frente do bichão pra saber se era coisa de que.
E enquanto que a gente galopeava, o fogo que estalava na orelha não parava mais de queimar. Um fogo gelado que nem frio na espinha que não pára de arrepiar.
Medo, a gente não tem, não, mas quem que gosta de frio na espinha? É por isso que a gente correu sem olhar nem mais vez pra trás.
E corremos com o bicho no encalço até sair da estrada da mata. E foi que nem que tirar com a mão. Foi sair da mata pra acabar o fogo arrepiante. E daí que fomos olhar pra trás. E lá no escuro, no meio dos angicos, só aquelas duas bolas de fogo, olhando bem pra nós e dizendo bem no meio do peito nosso.
'Em tempo de prenhisse de bicho não se entra em mata! Só porque vocês não tem época de prenhar, quer virar o verme do mundo!?'
E aquilo ficou pra sempre num zumbido aqui dentro da cachola, que até hoje não teve fim."
- Eita, Seu Ramos! Que estória! - Foi a única coisa que consegui dizer tremilicando todo o corpo.
Rapidamente a prosa perdeu o fogo,  o café secou, o biscoito esmigalhou e o dia entardeceu, e o caminho da mata nos esperava de volta.
Olha, nunca andei tão rápido um caminho de volta na minha vida: não senti cheiro de estrume, não vi estrada e nem o pôr-do-sol. E quer saber mais? Nunca ouvi tanto barulho no sítio como naquela noite mal dormida.
O Sr. Ramos? Deve estar bem! Faz tempo que não o vejo.
Se eu vi o tal tatu? Claro que não! Se eu acredito? Não sei, mas onde há fumaça, há fogo...

Boas Leituras!





quarta-feira, 29 de julho de 2015

Luana Lua


O chão frio e duro machuca minhas costas. Levanto-me. escuto e sinto meus ossos estalarem com uma dor lancinante, como se as vértebras voltassem para o lugar que nunca estiveram, ou como se os membros se encolhessem a um tamanho que nunca tivessem.
Sentado no chão, pernas dolorosamente estendidas, apoio-me com as mãos espalmadas a uns trinta centímetros atrás de minhas costas para tentar segurar o mundo que insiste em movimentar-se ora a trinta graus, ora a sessenta, alternando direita e esquerda. Sinto um fel na garganta. Inevitavelmente vomito sobre meu ventre, e quando me recupero dos soluços corporais provocados pela ânsia, consigo fixar meus olhos em meus sapatos, ou o que parecia ter restado deles, já que estavam sem sola e ainda persistiam em meu corpo graças ao abraço que os cadarços davam em meus tornozelos. Desconheço aqueles tornozelos, aqueles pés. Para confirmar o que ( ou quem) eu estava olhando, lentamente, para não tombar, subo meu olhar pelos resquícios de uma calça rota, estraçalhada, que pronuncia pelos em uma magra e dolorida perna que dobra-se lentamente.
Dor.
Sim, as pernas eram minhas. Os restos daquela vestimenta eram meus.
Quase que involuntariamente reclino meu tronco à frente na tentativa de diminuir a dor e isto faz com que minhas mãos se apresentem aos meus olhos: dedos curtos, palma grande, unhas enormes, carcomidas e negras, como se as marteladas de minha cabeça há muito tempo já havia judiado daquelas unhas presas a mãos que assemelhavam-se tanto com uma pata.
Cada pancada de dor em minha cabeça traz um zunido agudo, como se fosse a ativação de uma máquina dentro do meu cérebro. Uma máquina que deixa minha consciência nebulosa e que, de dentro da névoa mostram-me a Lua que me faz recordar de tudo através de sua luz.

"Lua enorme. Única. Rainha da escuridão. Seu brilho cheio era como eletricidade conectando os meus nervos à escuridão noturna, arrepiando pele e pelos, transformando. 
Transformando angústia e medos em desejo e força.
Desejo e Força.
Mais forte que minha vontade, eu tinha necessidade de agradecer à Lua o que ela havia me feito: transformando-me no instinto noturno.
Gritei alto. Ao ponto de as nuvens ao seu redor e ao meu redor se afastarem com meu hálito vigoroso e meu olhar que transparecia Luas amarelas e brilhavam o caminho à minha frente como um farol.
Eu tinha que seguir o caminho em busca. A força me levava à busca. A minha virilidade me comia as entranhas.
O cheiro de fêmea acelerava meu coração que batia desesperadamente de desejo, me impulsionando à correr pelo caminho iluminado pelo meu olhar.
Mãos e pés, patas sem dor afundavam na terra me impulsionando ao desejo.
O cheiro que me enlouquecia vinha daquela casa.
Cheiro de Lua fêmea.
O último beijo do amante na porta da casa, em despedida à namorada que apaixonadamente entrava olhando o amado por cima dos ombros com meiguice do cio.
Espio em tocaia como um animal, esperando o momento certo.
A presa é fácil, não há necessidade de confronto contra um macho tão fraco, que nem chega a ser um adversário. Poupo minha energia para o abate e aguardo pacientemente que ele se vá.
Cautelosamente chego até a janela, pé ante pé, orelhas em pé e em escuta. Vejo a Lua desnudando-se toda para mim. Penetro a janela da casa, subindo pela parede. Penetro as entranhas da Lua fêmea subindo em suas costas. Gritos, unhas, garras, pelos, peles, cabelos, dentes, sangue, dor, prazer em êxtase. e grito:
Luuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuua!
Mas quando olho para baixo, para aquela cara de dor sob meu corpo rijo, tudo o que consigo sentir é ódio. Ódio!
Destroço o corpo da mentira e da ilusão com meus dentes espalhando o gosto de sangue por todo o meu ser. Largo os restos de carne, osso, sangue e esperma e corro alucinado pelo caminho sem fim em busca do cheiro de Lua Fêmea que me enlouquece.
Olho para ela, lá em cima. Onde ela está?
As nuvens: muitas!
Exausto do insucesso, busco o descanso em minha toca costumeira. Corro instintivamente ao caminho de casa quando sinto os primeiros raios mornos de sol queimarem minha nuca, minhas costas. 
Dor! Dor profunda, que transforma a dor metafísica em física. Indescritivelmente dolorido, caio."

- Rogério, Rogério! Meu Deus! O que aconteceu com você? Olhe seu estado, meu querido! Que sangue é esse? Você se feriu? Rogério, querido, por favor, me responda!
Ao abrir meus olhos, vejo bem na minha frente: Luana Lua, cheiro de fêmea.